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26/12/2017 - Registrar, Integrar, Analisar e Curar




Registrar, Integrar, Analisar e Curar

Por Claudio Ferrari


Diretor de Estratégia e Inovação no Grupo Oncologia D'Or. É oncologista clínico, secretário de Comunicação da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e assessor de diretoria do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.


Artigo extraído da Revista Melhores Práticas em Saúde, edição 22.


Próximo de chegar à terceira década deste século, a medicina ainda se parece muito com a que praticávamos durante a segunda metade do século XX.


Apesar dos incríveis recursos computacionais já disponíveis, a prática médica segue fundamentalmente dependente da memória e da capacidade de processamento de informação desses profissionais, tanto para alcançar diagnósticos como para definir as escolhas terapêuticas. A boa notícia é que já podemos antever uma medicina melhor, mais inteligente, verdadeiramente científica, rápida e segura em um futuro muito próximo. E como será essa “nova medicina”?


Seremos capazes de promover a saúde individual em grande escala Vamos finalmente ter condição de promover a saúde da população, e os indivíduos participarão ativamente desse processo.


Isso será possível com a integração de seus dados genômicos às informações relevantes sobre estilo de vida (alimentação, vacinação, atividade física, etc.), parâmetros antropométricos (curvas de crescimento, peso, composição corporal, etc.), dados de dispositivos móveis/ implantáveis (pressão arterial, frequência cardíaca, saturação de O2, glicemia, etc.), além de registros de diagnósticos e tratamentos realizados.1


Esse conjunto incremental de dados será objeto de análises sistemáticas, que permitirão identificar fatores de risco importantes para as diferentes doenças. Com essas informações em mãos, será possível interferir de forma objetiva para reduzir os riscos individuais.2


Nesse contexto, os médicos assumirão o papel de guardiões e curadores da informação em saúde, para alcançarmos níveis de saúde sem precedentes.


Faremos intervenções mais eficazes e seguras


A computação cognitiva não substituirá os médicos. Ao contrário, será uma ferramenta inestimável para auxiliar o trabalho de todos os profissionais de saúde.


Ao ajudar a identificar os elementos mais relevantes de cada caso, trazendo à tona os estudos científicos mais recentes e apresentando os possíveis resultados das intervenções, a tecnologia facilitará enormemente as tomadas de decisão, reduzindo as chances de erro.3


Além disso, o monitoramento rigoroso dos resultados de todas as intervenções realizadas favorecerá o controle da qualidade do processo de assistência.


Reduziremos significativamente os desperdícios no cuidado com a saúde


Redução de custos tornou-se um tema central nas discussões sobre saúde no mundo todo, e não poderia ser diferente em nosso país. A despreocupação com os possíveis desperdícios na assistência e os custos crescentes das novas tecnologias são elementos importantes dessa equação.


Integrando dados clínicos e resultados de exames, ajudando no desenvolvimento de hipóteses diagnósticas e prevendo possíveis desdobramentos de cada escolha, a computação cognitiva ajudará médicos a fazer um melhor uso dos recursos disponíveis, contribuindo para a sustentabilidade do sistema.


Em resumo, com a tecnologia ao nosso lado, saberemos mais, erraremos menos, aprenderemos com os resultados de cada tratamento e teremos mais tempo livre para entender e cuidar do que realmente importa para cada um de nossos pacientes.


Referências

1- El Naqa I. Perspectives on making big data analytics work for oncology. 2016. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27586524 

2- Zhang J, Chiodini R, Badr A, Zhang G. The impact of next-generation sequencing on genomics. J Genet Genomics. 2011;38(3):95-109.

3- PINHEIRO, Alba Lúcia Santos et al. Gestão da Saúde: o uso dos Sistemas de Informação e o compartilhamento do conhecimento para a tomada de decisão. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v25n3/pt_0104-0707-tce-25-03-3440015.pdf