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30/01/2018 - Neoplasia intraepitelial cervical: análise de polimorfismos nos genes MASP2 e CD59 do sistema complemento em mulheres*


 

 

Stefanie Epp Boschmann, Amanda Salviano, Angelica Winter Boldt, Carlos Afonso, Hellen Chris Weinschutz, Graziele Moraes Losso, Iara de Messias-Reason

 

O papilomavírus humano (HPV)¹ é responsável pela infecção viral mais comum do sistema reprodutivo. Apesar de sua frequência elevada, cerca de 90% das infecções regride espontaneamente,²,³ enquanto uma pequena proporção com certos tipos de HPV, se não tratados, pode persistir e causar lesões que evoluem para câncer do colo uterino.

 

O sistema complemento (SC),4 um dos principais mediadores da imunidade inata e ponte entre a imunidade inata e a adaptativa, pode ser ativado através das vias clássica, alternativa e das lectinas que convergem na formação do complexo de ataque à membrana (MAC), o recrutamento de células inflamatórias, a fagocitose e a lise celular.

 

O objetivo desse estudo foi investigar os genes MASP2 e CD59 da via das lectinas, bem como a expressão da proteína MASP-2 em pacientes com neoplasia intraepitelial cervical de alto grau. A protease MASP-2, complexada a moléculas de reconhecimento padrão, atua na ativação da via das lectinas após se ligar a um patógeno ou célula própria alterada. A proteína CD59 é um regulador do SC que impede a formação da MAC na superfície de patógenos e de células homólogas, equilibrando assim a atividade do SC ao inibir suas ações líticas e protegendo células próprias.

 

Analisamos 11 polimorfismos no gene MASP2 utilizando a técnica PCR-SSP5 em 83 mulheres com neoplasia intraepitelial e em 144 mulheres saudáveis. As concentrações de MASP-2 no plasma foram quantificadas em 84 pacientes e em 134 mulheres saudáveis. Não houve diferença significativa entre os dois grupos em relação aos polimorfismos de MASP2 e concentrações de MASP-2. No grupo de pacientes, não encontramos associação entre os genótipos de MASP2 e a concentração de MASP-2, o que pode indicar que a infecção pelo HPV altera a expressão do gene. No gene CD59, analisamos 4 polimorfismos através da PCR-SSP em 149 pacientes com neoplasia e em 138 mulheres saudáveis.

 

Encontramos uma associação significativa entre três polimorfismos, associados previamente com aumento da expressão gênica de CD59, e o grupo de pacientes. Estudos anteriores já demonstraram que células tumorais apresentam expressão aumentada de CD59, provavelmente como mecanismo de defesa contra a ação lítica do SC. Portanto, nossos resultados confirmam esses estudos e sugerem que pacientes com expressão aumentada de CD59 apresentam maior risco para desenvolver a doença.

 

*Resumo do artigo científico premiado no V Congresso Internacional Oncologia D’Or, realizado no Rio de Janeiro nos dias 24 e 25 de novembro de 2017.

 

 

Referências

1. Centers for Disease Control and Prevention. Genital HPV Infection – Fact Sheet. Disponível em: <https://www.cdc.gov/std/hpv/stdfact-hpv.htm>. Acesso em 3 jan. 2017.

2. Instituto Nacional de Câncer. HPV e câncer – Perguntas mais frequentes. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/colo_utero/hpv-cancer-perguntas-mais-frequentes>. Acesso em 3 jan. 2017.

3. Ministério da Saúde. Estudo apresenta dados nacionais de Prevalência da Infecção pelo HPV. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/pt-br/noticias/estudo-apresenta-dados-nacionais-de-prevalencia-da-infeccao-pelo-hpv>. Acesso em 3 jan. 2017.

4. Universidade Estadual Paulista – Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias. O Sistema Complemento. Disponível em: <http://www.fcav.unesp.br/Home/departamentos/patologia/HELIOJOSEMONTASSIER/aula-7-sistema-complemento.pdf>. Acesso em 3 jan. 2017.