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30/01/2018 - Governança Clínica como Modelo de Gestão


 

 

Por Rubens Covello* 
CEO do IQG Health Services Accreditation. É membro do Board da ISQua, do Conselho de Adminstração HSO/Canada e do Conselho Advisory da GPeS.

O tema desse artigo foi apresentado por Covello no V Congresso Internacional Oncologia D’Or, realizado em novembro de 2017.

 

Os sistemas de saúde, de um modo geral, não estruturaram um modelo de gestão para a complexidade de seus serviços. Nosso modelo de gestão foi desenvolvido há mais de 100 anos (1912, Taylor e Fayol).

 

A maioria dos serviços de saúde ainda trabalha com pouco planejamento e sem uma política estruturada de avaliação de resultados. Muitos ainda utilizam a lógica de produção, considerando pouco a eficiência, a eficácia e a efetividade de suas práticas. Sua forma de trabalho é organizada obrigatoriamente entre diferentes categorias, gerando fragmentação do cuidado, perda da visão da integralidade do paciente e não visualização dos resultados.¹

 

O termo Governança Clínica foi apresentado pela primeira vez em 1997 no livro branco do NHS (UK),2 mostrando-se uma nova estratégia para modernização da gestão do sistema de saúde. Sua definição padrão é de “um sistema por meio do qual as organizações são responsáveis por melhorar continuamente a qualidade de seus serviços, garantindo elevados padrões de atendimento, criando um ambiente de excelência de cuidados clínicos voltado a todas as partes interessadas (pacientes, familiares, médicos, colaboradores, prestadores, compradores de serviços e comunidade)”.

 

A Governança Clínica entende os serviços de saúde como organizações complexas com alto grau de incerteza, nas quais a padronização massificada não agrega valor aos processos de tomada de decisão, diferente do modelo de Taylor. Entende também que modelos de acreditação restritivos e extremamente manualizados não agregam valor ao paciente.

 

A grande contribuição do modelo da Governança Clínica foi trazer a decisão clínica para o contexto gerencial e organizacional. Esse modelo de gestão repensa os serviços de saúde, tornando a qualidade dos cuidados, a segurança do paciente e o combate ao desperdício uma responsabilidade partilhada por todos os profissionais de saúde e gestores.

 

Esse novo modelo de gestão3 é centrado na pessoa e tem foco nos resultados, somando isso ao comprometimento da alta administração e à valorização dos profissionais envolvidos, com visão epidemiológica e redesenho dos processos, para assim responder às necessidades e à lógica de uma rede assistencial sustentável.

 

Os atributos-chave para tal são:

1. Padrões reconhecidamente elevados de atendimento.

2. Responsabilidade de gestão transparente para os padrões.

3. Dinâmica constante de melhoria.

 

Os principais desafios que encontramos para implantação estão resumidos em:

1. Formação e capacitação de executivos;

2. Gestão integrada de riscos;

3. Gestão operacional;

4. Gestão do conhecimento;

5. Transparência.

 

Berwick descreve a necessidade de uma janela através da qual os clínicos e os gestores administrativos possam se comunicar, ver e entender os dois lados das questões e se concentrar em uma missão compartilhada, nutrindo um profundo e autêntico respeito mútuo e propósito comum ao ver o trabalho que precisa ser realizado para os pacientes e descobrir como ajudá-los e sustentar as instituições de saúde e o sistema.

 

Portanto, a Governança Clínica tem de ser utilizada como ferramenta para gestão da mudança. Novos padrões precisam ser desenvolvidos com o esforço de todos, pois o sucesso do modelo de gestão da era industrial (Taylor e Fayol) não garantirão a sustentabilidade dos sistemas de saúde.

 

 

Referências

1. LEOPARDI, M.T. Processo de trabalho em saúde, organização e subjetividade. Florianópolis: Papa-Levus; 1999. p. 64-75.

2. National Health Service - NHS. The new NHS modern . dependable. Disponível em: <https://www.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/266003/newnhs.pdf>. Acesso em: 15 jan. 2018.

3. CANADIAN PATIENT SAFETY INSTITUTE. CPSI - ICSP. Disponível em: <http://www.patientsafetyinstitute.ca/en/Pages/default.aspx>. Acesso em: 12 jan. 2018.

 



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